A mesa-redonda “A política ambiental no Brasil”, coordenada por Vanessa Elias de Oliveira (UFABC), contou com a participação de Carlos Nobre (INPE), Sérgio Leitão (Instituto Escolhas), e Suely Araújo (Observatório do Clima). O evento, parte do 14º Encontro da Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP), focou nos desafios e estratégias para enfrentar a emergência climática e promover políticas ambientais sustentáveis no Brasil.
Carlos Nobre, cientista climático do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), abriu o debate enfatizando, de maneira contundente, a gravidade da crise climática global, alertando para o aumento de temperaturas em 2023-2024.
Nobre destacou que as previsões climáticas falharam em antecipar um aquecimento global de 1,5ºC tão cedo, colocando o mundo em um risco iminente de ultrapassar pontos de não retorno, como o derretimento das calotas polares e o colapso da Floresta Amazônica, em um futuro não muito distante. Para o cientista, é crucial que o Brasil adote políticas ambientais mais rigorosas e se posicione como líder global na mitigação das mudanças climáticas.
A coordenadora de políticas públicas do Observatório do Clima, Suely Araújo, apresentou uma análise detalhada das emissões de gases de efeito estufa no Brasil, destacando que quase metade dessas emissões é proveniente do desmatamento. Ela enfatizou a importância de controlar o desmatamento, especialmente na Amazônia, e promover práticas agrícolas de baixa emissão.
Araújo também discutiu a necessidade de adaptação às mudanças climáticas, apontando que o Brasil ainda não está preparado para enfrentar eventos extremos, como as recentes enchentes no Rio Grande do Sul. Ela criticou a insuficiência de um Sistema Nacional de Meio Ambiente comparável ao SUS, argumentando que a falta de recursos e a centralização de poder na União limitam a eficácia das políticas ambientais.
Sérgio Leitão, diretor do Instituto Escolhas, chamou a atenção para a fragmentação da agenda ambiental e a falta de um alinhamento claro entre os atores envolvidos. Ele sugeriu que a ciência política pode ajudar a entender as razões pelas quais a política ambiental não consegue traduzir sua relevância midiática em apoio político efetivo.
Leitão destacou a necessidade de uma comunicação mais eficaz dos riscos climáticos e questionou como a sociedade pode tomar decisões informadas em um cenário de incerteza. Além disso, ele apontou para a desconexão entre as políticas ambientais e a questão da desigualdade, enfatizando que soluções ambientais devem considerar os impactos sociais e econômicos para serem verdadeiramente eficazes.
O debate ressaltou a importância de uma abordagem interdisciplinar e integrada para enfrentar os desafios ambientais no Brasil. A colaboração entre cientistas, formuladores de políticas, ONGs e o setor privado foi destacada como essencial para a implementação de soluções eficazes.
O evento concluiu com um chamado à ação ao enfatizar que o Brasil tem o potencial de liderar a luta global contra a emergência climática, mas que isso requer comprometimento político e social para a implementação de políticas públicas robustas e inclusivas. Disponível no YouTube.
FICHA TÉCNICA
Título: A política ambiental no Brasil
Participação: Carlos Nobre, Sérgio Leitão e Suely Araújo
Mediação: Vanessa Elias de Oliveira
Realização: ABCP
Ano de publicação: 2024
Onde acessar: YouTube